Degustação de Chás gourmet e estilo de vida.

 
 

26/10/2015

Visitando as Fazendas de Chá no Brasil - Parte 2 : Amaya Chás

A minha primeira parada nesta viagem para conhecer as fazendas de chá no Brasil foi em Registro, interior de São Paulo. A cidade possui muita tradição com a cultura do chá pois foi lá onde muitos imigrantes japoneses se estabeleceram no Brasil e a partir deles o plantio da Camellia sinensis (a planta do chá) se firmou e respira até os dias de hoje. Mas esta é uma história que merece uma postagem por si só e enquanto isso, falaremos da Amaya Chás, uma das últimas fazendas de chá da região.

Fazenda da Amaya Chás em Registro, SP. Foto: Cláudio Brisighello 

Os Amaya, hoje na 3a. geração familiar, são uma empresa que realiza o cultivo do chá desde a década de 30. Com mais de 80 anos de tradição, iniciada com o chá preto que era exportado para grandes marcas internacionais, hoje eles também fabricam o chá verde e ambos os chás são feitos a partir de algumas variedades da Camellia sinensis, sendo a variedade indiana a principal pela boa adaptação ao nosso clima.

Com parte da equipe Amaya, empresa familiar e com muitos anos de tradição. Foto: Cláudio Brisighello

O lugar onde o chazal se localiza é muito especial. Ele está no meio da Mata Atlântica, considerada pela UNESCO um Patrimônio Natural da Humanidade. Com grande diversidade biológica, atendendo aos padrões e normas da lei, os vastos campos da Fazenda cultivados com a planta do chá recebem a colheita algumas vezes ao ano, havendo descansos para que a planta se recupere e desenvolva sabor. O local escolhido para o plantio deste chá inspira vida e ele consegue transmitir em nossa xícara o frescor que esta mata tão viva nos presenteia.

Vista parcial do chazal da Amaya, com a Mata Atlântica ao fundo (clique para ampliar). Foto: Cláudio Brisighello

Seu processamento utiliza maquinário e mão de obra humana, rigorosamente supervisionada pelo diretor de produção, Riogo Amaya, que garante com sua experiência a qualidade dos chás da marca.

Logo abaixo conheceremos como é feito o chá verde da Amaya Chás:

Colheita da planta do chá na Fazenda Amaya. Foto: Cláudio Brisighello

No dia de minha visita, o chá verde estava sendo feito e acompanhei de perto sua fabricação onde um sistema aprimorado, com base no CTC (Crush, Tear, Curl ou ainda Cut, Tear, Curl) é utilizado. Neste sistema personalizado utilizado na Amaya, as folhas murchas de chá passam por um moinho com lâminas inoxidáveis que cortam com maior precisão e recebem menos acúmulo de material bruto no equipamento. Há também um menor aumento de temperatura nesta etapa e todas essas diferenças fazem com que o chá final preserve maiores benefícios e qualidade.

Pesagem das folhas de chá antes do processamento. Foto: Cláudio Brisighello

Folhas secando após colheita e pesagem. Foto: Cláudio Brisighello

Após a colheita das folhas, elas seguem para o galpão da fábrica onde serão processadas. O dia amanheceu levemente chuvoso então a colheita foi para um tipo de berço, como mostra a foto acima, onde o excesso de água secou com a ajuda de uma ventilação auxiliar. Quando as folhas atingem o ponto ideal, elas são vaporizadas para conter o avanço da oxidação e seguem para o túnel mostrado na foto abaixo, onde o excesso de água é mais uma vez retirado.

Túnel de Vento para secagem das folhas após a vaporização. Foto: Cláudio Brisighello

Para interromper o "cozimento" provocado pela vaporização, as folhas passam por ventilação fria antes de seguir para o equipamento onde serão cortadas. E após o corte, mais vento - agora quente - é soprado e este define o formato arredondado das folhas que se moldam em pequenas pérolas. Esta tecnologia chamada de "Fluidized Bed Drying" trata gentilmente a secagem final das folhas do chá, de forma homogênea e efetiva, resultando em mais qualidade para nossa xícara.

Depois desta secagem, começa o processo final do chá bruto onde são retiradas as fibras, separadas através de energia estática, e a limpeza de impurezas é feita através de um túnel de ventilação. O resto segue para o beneficiamento (mesmo termo utilizado no café) onde há a seleção granulométrica através de peneiras - o vídeo abaixo ilustra parte deste processo - para se obter o chá final.


Por fim, o beneficiamento do chá. Foto: Cláudio Brisighello

Extraindo as fibras indesejáveis através de energia eletroestática.
As fibras da planta ficam presas propositalmente e em seguida são descartadas. Foto: Cláudio Brisighello

Ao fim da esteira temos o chá prontinho para ser embalado! Foto: Cláudio Brisighello

Desde o plantio até o produto final, Riogo Amaya atenta para todos os detalhes e realiza seu beneficiamento com primazia como um verdadeiro Mestre de Chás - Riogo conhece absolutamente tudo sobre seu produto e consegue me trasmitir cada detalhe, uma amostra pura de dedicação e amor.

Aprendendo um pouco mais sobre o chá verde Amaya com o Mestre de Chás Riogo Amaya

Com esta visita posso dizer que aprendi muitas coisas mas elas não se resumem apenas em processos de fabricação. Acima de tudo conheci o trabalho e esforço de uma comunidade que luta para manter o chá brasileiro mesmo depois de tantas crises neste mercado. E aqui temos um misto de ignorância da nossa parte também, pois muitos não conhecem este trabalho acontecendo dentro de nosso país e acabam buscando chás e referências culturais apenas no exterior - e não me entendam errado, pois há espaço para tudo, mas conhecer o que temos de bom no Brasil também tem de estar dentro desta busca pessoal no mundo dos chás. Assim como aprecio um bom chá chinês ou indiano, também aprecio em igualdade uma boa xícara de chá brasileiro pois cada um tem uma proposta e um momento ideal para ser tomado.

A qualidade do chá brasileiro feito no Vale do Ribeira carrega suas próprias características moldadas pela adaptação da planta ao nosso solo através dos anos e pela tradição das famílias descendentes de japoneses que ali tiveram de aprender a lidar com a planta do chá, desenvolvendo seus processos de acordo com suas referências e imposições de mercado. Os Amaya produzem o chá preto (que segue um estilo Assam, com corpo maltado e coloração muito rica), o chá verde (mais recente, que busca sua própria identidade entre a delicadeza de um chá japonês e a adstringência de um chá indiano) e por fim, o chá verde em pó, produto para uso culinário e vendido sob consulta. Isto segue entre outros projetos que eles buscam para seu chá, aguardando o amadurecimento do público no país. O tipo de chá que produzem é muito versátil (fiz um blend utilizando ele como base!) e utilizo no dia a dia com acompanhamentos, como chás gelados com frutas, na culinária, enfim... seu uso cabe de diversas formas.

Espero ter conseguido transmitir o quão gratificante foi conhecer o trabalho feito com chás na Fazenda Amaya e aproveito para convidar todos a experimentarem as marcas nacionais de chá que possuem qualidade, para incentivarmos esta cultura que floresce aqui nos últimos anos, elevando assim o nível do nosso mercado de forma geral. 

Teste de sabor x intensidade do chá verde no escritório da fábrica. Foto: Cláudio Brisighello

Nossa parada seguinte foi a Fazenda Shimada onde o chá Obaatian - O Chá da Vovó, é produzido. Não percam a próxima postagem a respeito na série Visitando as Fazendas de Chá no Brasil. Enquanto isso leia no site da nossa parceira Infusorina, que também visitou a região de Registro, o relato de sua experiência em  http://blog.infusorina.com.br/.

Para maiores informações a respeito da Amaya, visite:




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