Já havia postado esta receita em meu antigo blog, mas estes cookies da Amai são tão irresistíveis que resolvi postar de novo. E agora, ao invés de cobrir ele por inteiro com açúcar, só estou colocando o açúcar por baixo (gosto de sentir o gosto do Matcha, sem a overdose do açúcar):
Cookies de Chá Verde da Amai
(versão do Chá, Arte e Vida!)
● Ingredientes:
- 3/4 de xícara de açúcar de confeiteiro
- 150g de manteiga sem sal
- 1 e 3/4 de xícara de farinha de trigo
- 4 gemas de ovos comuns (ou 3 de ovos caipira)
- 2 colheres de sopa de Matcha
- 1 xícara de açúcar granulado ou de confeiteiro (para decorar)
● Instruções:
Em uma tigela misture manualmente o açúcar de confeiteiro com o Matcha. Adicione neste recipiente a manteiga cortada em pedaços e misture com uma pá de pão duro, arrastando a massa para os lados da tigela ou, se você tiver uma batedeira profissional, utilize a espátula para bater a massa. Misture bem até os pedaços da manteiga se diluírem e a cor da massa ficar mais clara e macia. Adicione a farinha e continue misturando. Por fim, adicione as gemas e misture-as até serem totalmente incorporadas e uma massa íntegra se formar. Cubra a tigela com plástico de cozinha e leve à geladeira até a massa ficar firme (aproximadamente 30 minutos).
Retire a massa da geladeira e abra em uma superfície com pouca farinha polvilhada. Deixe a massa com a altura entre 1cm - 1,5cm. Corte as bolachas com o cortador e coloque-as em um recipiente com o açúcar para decoração, cobrindo a bolacha por completo.
Pré-aqueça o forno em 180°C.
Coloque as bolachas na assadeira untada (ou com silpat) e asse por 12 minutos ou até que elas fiquem levemente douradas nas bordas. Quanto mais novo e de boa qualidade o seu Matcha for, mais verde ele ficará depois de assado.
Uma vez assadas, as bolachas devem ser guardadas em pote fechado e escuro. A exposição à luz causa o seu desbotamento.
● Rendimento: 25 bolachas
Como vocês podem ver, encontrei o Matcha, finalmente. Em uma das pequenas vendinhas da Liberdade (SP) o dito cujo se escondia. Mas o preço foi de assustar, R$12. Geralmente, eu pagava a metade, mas faz tanto tempo (e os preços nunca são os mesmos depois de tanto tempo)...
Estes Cookies de Chá Verde foram acompanhados por um Chá Verde com Jasmim, que complementa o sabor do chá e quebra seu suave adocicado, tudo ao mesmo tempo. Um verdadeiro deleite!
Já se passaram mais de dois meses desde a última foto e aqui estou eu novamente com as minhas Camellia sinensis! Este começo de ano chuvoso, com clima úmido, colaborou no crescimento das pequenas e algumas das mudas estão, em média, com 24 centímentros de altura.
O tamanho ideal para o plantio desta muda no chão é de meio metro, mas como elas estão indo tão bem e o nosso berçário de mudas estava cheio, decidi plantar as mudas maiores já no meu canteiro de chás. Na foto acima, no meio, vocês podem ver umas das mudas grandes já plantada (e essa tem madrinha, a minha querida amiga Aline!).
Estou finalmente dando o formato final para meu canteiro de chás, e assim que ele ficar mais completo, tiro uma foto!
Queria aproveitar este post e avisar que eu não vendo mudas ou sementes da Camellia sinensis. Tenho recebido muitos contatos de pessoas procurando pela planta, mas infelizmente, não tenho como ajudá-los. As minhas sementes são importadas e o seu plantio é apenas um hobby, não comercializo nada do que planto aqui - também não possuo sementes, as poucas que possuía, viraram essas mudinhas e até onde sei, só terei minhas próprias sementes daqui uma década.
Este começo de ano está indo no melhor do estilo slow. Muita gente nos visitando, muita chuva e pouca coisa a ser feita devido ao tempo, a não ser comer e jogar papo fora. Se tivesse um solzinho então, eu estaria lagarteando, literalmente.
Estou cheia de coisas legais para postar, e logo logo pego o ritmo de novo.
Até breve!
Para começar o ano de 2011, deixo esta poesia feita por Melissa Huff, baseada nos princípios do Chadô, o Caminho do Chá, que foram deixados pelo mestre de chás Sen Rikyu. Wa Kei Sei Jaku (Harmonia Respeito Pureza Tranquilidade) são princípios a serem lembrados e levados em nosso dia-a-dia:
Chadô, o Caminho do Chá
Wa Kei Sei Jaku
Harmonia Respeito Pureza Tranquilidade
Harmonia
Entre nós e a natureza,
entre todos os diferentes aspectos do nosso ambiente,
entre as estações do ano e o ambiente criado pelo homem,
entre nós e outras pessoas.
Harmonia não significa que tudo se torna parecido.
O objetivo é alcançar uma relação equilibrada,
não entre as coisas que são idênticas,
mas entre as coisas que são complementares.
Harmonia com contraste,
como a tinta preta das palavras,
e o espaço no papel branco.
Harmonia tece todas as coisas em uma intrincada,
ainda que simples, teia.
Respeito
Para o momento,
por cada pessoa,
com o tempo,
para nós,
com os objetos que usamos,
pela natureza.
Respeito poderia ser definido como o ato de dar uma atenção especial,
ao destinatário.
Em um ato de respeito, demonstramos nosso entendimento,
da interconexão de todas as coisas.
Mostrando respeito entendemos ainda melhor,
porque isso é valorizado.
Pureza
Da mente...
Como a nascente limpa.
De intenção...
todas as coisas desnecessárias foram varridas para fora?
De ação...
a qualquer momento,
nós devemos ser completamente focados na ação do momento.
De visão...
Eu vejo meu objetivo com clareza?
Ser puro é não possuir nada que não nos pertença propriamente;
assim não seremos arrastados para baixo nem ficaremos distraídos,
por aquilo que contribui em nada para o bem de todos.
Tranquilidade
O estado do ser, livre da agitação da mente e do espírito.
Se estamos em harmonia com as coisas ao nosso redor,
e se respeitamos o momento e o que ele nos traz,
então nós podemos alcançar a pureza da mente,
propósito e ação,
e, portanto, carregamos conosco um estado de tranquilidade.
Tranquilidade através da prática de
Harmonia,
Respeito,
e Pureza,
cabe a nós escolher,
e criar dentro de nós mesmos.
por Melissa Huff (tradução livre pelo Chá, Arte e Vida!)
Entenda melhor os conceitos dos princípios do Chadô neste texto publicado no site chanoyu.com:
Wa (harmonia) é uma máxima para os seres humanos. É a interação positiva entre o anfitrião e o convidado em uma cerimônia de chá ou entre as pessoas em qualquer situação de vida. O chá é a partilha entre o anfitrião e o convidado e não é uma atividade solitária. A Harmonia se estende na natureza também, e em objetos tangíveis, tais como utensílios de chá, utensílios do dia-a-dia e a própria vida. A verdadeira harmonia traz a paz.
Kei (respeito) é a capacidade de compreender e aceitar os outros, até mesmo aqueles com quem discordamos. Quando somos gentis com os outros, e humildes, podemos receber respeito. No chá o anfitrião pensa nos convidados e os convidados, no anfitrião. É esta partilha contínua e a consideração que faz do chá um encontro memorável e bem sucedido. Idealmente, todos são do mesmo nível em um salão de chá. É importante tratar tudo e todos com o mesmo respeito. Trate os utensílios de qualidades diferentes da mesma maneira. O preço de um objeto não deve ditar a forma de como ele é tratado. A extensão de um coração puro com verdadeiro respeito pode ser realizado.
Sei (pureza) é a capacidade de tratar a si e aos outros com um coração puro e aberto. Esta é realmente, a essência da formação do chá. Esta pureza não é de uma limpeza absoluta, mas de um coração puro. Com um coração puro, harmonia e respeito podem ser alcançados. Quando o jardim de chá é limpo, o coração e a alma também são purificados. Quando alguém veste roupas limpas esta pureza também existe. Um coração puro não é vistoso, mas natural. O ideal de pureza de Sen Rikyu era o aspecto natural do jardim depois de limpo, e algumas folhas caídas de uma árvore sobre o musgo fresco bem cuidado.
Jaku (tranquilidade) é o ponto em sua formação e prática onde um nível de altruísmo é atingido. Enquanto por um lado, ele é o objetivo final, por outro é o início novamente. Um verdadeiro mestre atinge este nível mais elevado e, em seguida, colocando os ideais de harmonia, respeito e pureza em prática, começa novamente com um coração novo e iluminado. Neste ponto, as infinitas possibilidades da vida podem ser realizadas.
E que todos tenham um excelente ano, cheio de Wa Kei Sei Jaku para todos os momentos!
Assista abaixo este belo vídeo, idealizado pela Tea Board of India (instituição governamental que controla a produção de chás do país) e produzido pela Holistic Films, que mostra um pouco da cultura do chá na Índia, as suas belas montanhas (ainda mais belas se você escala como eu!) e seu povo.
Considero o Chá Branco um dos chás mais delicados e especiais que existem. Sua especialidade é traduzida pela parte da planta com a qual o chá é feito, e pelo processo de produção que a Camellia sinensis passa - apesar de ser simples, possui muita doação do Mestre de Chás, que, ao fazê-lo tenta driblar as intempéries do tempo. Vamos conhecer um pouco mais deste chá que há poucos anos atrás era totalmente desconhecido no Ocidente, e que hoje pode ser encontrado em praticamente todo o nosso país.
Plantação de chás, no meio o broto em evidência. Foto: Wikipedia
♠ Origem
O Chá Branco surgiu na China e foi um dos primeiros chás a ser produzido, assim como o chá verde seco ao sol (Há toda uma discussão a respeito de quando um ou outro chá surgiu, e por isso deixarei o mérito da questão para uma próxima oportunidade). Seu terroir é a província de Fujian, em três lugares distintos, Funding, Jianyang e Zhenghe. A importância do lugar no cultivo do chá é a garantia do seu sabor, estilo e tradição, aspecto muito semelhante ao dos vinhos. O Chá Branco desenvolvido em Fujian descende de árvores nativas dessas localidades ( 95% da variedade Da Hao) e somente esses cultivares, derivados da Camellia sinensis var. sinensis, são capazes de, após o seu processamento, revelar a delicada penugem branca que dá o nome ao chá.
♠ Colheita
Originalmente, o Chá Branco era produzido somente com os brotos da planta do chá, sem nenhuma folha, colhidos durante duas semanas no início da Primavera - quando o tempo é favorável e os brotos ainda não se transformaram em folhas adultas.
♠ Processo
Após a colheita, o Chá Branco é seco à sombra durante alguns dias, até semanas, garantindo-lhe a sua característica coloração branca/prateada e a leve oxidação que os Chás Brancos possuem. Apesar de parecer uma operação simples, o Mestre de Chás ou o produtor, tem de ficar atento ao andamento da secagem pois as chuvas e humidade influenciam no resultado final. As folhas ainda podem ganhar formato em um processo manual, antes de serem embaladas.
♠ Características de sabor e coloração
O Chá Branco possui, geralmente, um sabor muito sutil e adocicado, com notas florais, bem delicado, lembrando muitas vezes frutas como melão e pêssego, sem adstringência. A cor final do seu liquor muda para cada tipo de Chá Branco (pode variar de uma coloração clara até a tonalidade de malte).
♠ Tipos de Chá Branco
A popularização do Chá Branco também deve-se ao novo estilo de preparo do mesmo, inovação trazida pelas gerações de produtores de chás. O que antes era um chá que possuía somente os brotos da Camellia sinensis, agora tem adicionado suas primeiras (e até segundas) folhas da planta. Assim, podemos dividir o Chá Branco em dois tipos, o Tradicional e o Moderno.
Chá Branco Tradicional: Silver Needle (o Branco mais tradicional, somente os brotos da planta)
- Chá Branco Tradicional
No modo tradicional o chá é preparado somente com os brotos da Camellia sinensis, sem nenhuma folha, colhidos e selecionados no período da Primavera. O resultado é o chá Bai Hao Yin Zhen, ou, em inglês, o nosso conhecido Silver Needle (Agulha Prateada), que possui um alto preço no mercado, justificado pela pureza do material selecionado.
- Chá Branco Moderno
No método moderno é feita uma mistura de brotos com folhas e até mesmo somente o uso das folhas, sem os brotos, vindos da mesma variedade de planta do Silver Needle. Ele passa por praticamente os mesmos processos do Chá Branco Tradicional adicionado de um último, onde as folhas são “assadas”. O resultado é um chá com mais corpo, em cor e sabor, ainda com alguma delicadeza do estilo Tradicional e sua própria personalidade.
Chá BrancoModerno: Bai Mudan (a mistura de brotos e folhas é bem evidente)
Alguns exemplos do estilo Moderno é o famoso Bai Mudan/ Pai Mu Tan (White Peony ou Peônia Branca), Gong Mei (Tribute Eyebrow ou Sobrancelha de Tributo) e o Shou Mei (Long Life Eyebrow ou Sobrancelha da Vida Longa). O chá estilo Bai Mudan é feito com o broto da planta adicionado da sua primeira folha. Já o Gong Mei e Shou Mei são feitos somente com as folhas das plantas, e o termo Sobrancelha faz referência ao seu formato após o processamento.
Chá Branco Moderno: Shou Mei (reparem como as folhas possuem a penugem caracterísitca do chá)
♠ Produção de Chá Branco pelo Mundo
Com os tempos modernos, a fabricação do Chá Branco não pertence mais exclusivamente à Província de Fujian, na China. Outros lugares, na própria China, assim como a Índia e o Sul da Ásia estão fabricando suas próprias variedades que já podem ser encontradas no mercado. A mudança de terroir influencia no sabor final do chá, mesmo ele sendo remetido ao processo de fabricação no método original.
Gosto muito do Silver Needle e do processo Tradicional, confesso que possuía até um certo receio com os chás feitos no estilo Moderno, mas hoje percebo que existe espaço para eles já que trazem uma popularização do Chá Branco no mercado, assim como um novo sabor a ser experimentado.
Depois de tantas explicações, só resta degustarmos todos os tipos de Chá Branco para descobrirmos os nossos favoritos (e não esqueça de vir me contar depois)!
Nos últimos tempos, temos colhido bastante coisa da nossa horta. É muito gratificante plantar, ver a muda crescer, e saber que seu resultado vai ser muito bem-vindo em nosso próprio corpo. Não tem nada mais saboroso do que colher e comer na hora, aprendi isso depois de vir para o campo.
As últimas semanas têm sido de sol forte e chuva intensa, clima típico de verão. Neste momento estamos na entressafra de muitas coisas que plantamos e já comemos, mas eu e meu marido registramos algumas fotos e só faltou publicar aqui para vocês. Vamos ver agora?
Os tomates já se foram e estavam deliciosamente doces (eram tomates italianos). Com a chuva de agora eles estão sofrendo um pouco por causa de doenças como a pinta preta e a requeima. Estes fungos se espalham através do vento e chuva, e isso é o que não falta por aqui!
A foto mostra a primeira Physalis da temporada. A planta está carregada, é a coisa mais linda, parece um monte de sininhos. Seu sabor me lembra a nêspera com um frescor e perfume suave (Ah sim, a fruta está escondida dentro dessa casca que lembra papel, é uma bolinha dourada, na foto dá para ver a sua sombra). O engraçado é encontrar uma bandejinha com meia dúzia delas no mercado por R$10, e eu ter comprado a muda, já produzindo, por R$1.
Esse brócolis estava muito bom, com um sabor muito vivo e as folhas, macias. Ele sofreu um pouco com os pulgões-verde (e um transplante de lugar) mas agora está de volta, frequentando nossos Missôs em dias de frio!
Também transplantamos as beringelas para outro lugar e elas estão indo muito bem. Colhemos uma ontem mas ainda não a experimentamos.
Esta era nossa antiga estufinha (na frente vocês podem ver as alfaces lisas e as rúculas). Produzimos tanta coisa, e não conseguíamos comer a tempo, que resolvemos adaptá-la ao nosso tamanho, para 2 pessoas. Assim que tiver uma foto nova, mostro para vocês.
Sei que quem mora em cidade grande tem maiores dificuldades para plantar qualquer tipo de coisa, mas um vaso com temperinhos já ajuda bastante e é fácil de se manter. Plantando 5 mudas de salsinha, daqui uns meses você as terá de sobra em sua cozinha (claro, não vale fazer um vinagrete todo dia!).
Para ajudar na inspiração de quem tem vontade de plantar em casa, assista abaixo este vídeo sobre um movimento que acontece em Nova Iorque, pessoas estão plantando em seus quintais e lajes:
The Taste of Tea é um interessante curta, escrito e dirigido por Alfonso Chin X, onde o chá é usado como base para contar uma ausente relação entre mãe e filho. A história é passada na China dos anos 50, e a língua utilizada no filme é o inglês:
O meu sogro é um admirável senhor de 74 anos de idade, que no mês passado inaugurou o seu blog. Seu Luiz, que regularmente acessa internet, descobriu no blog uma boa ferramenta para registrar não somente algumas de suas memórias de vida, mas também muitas das suas receitas e dicas. Ele adora cozinhar e sempre faz pratos muito práticos e gostosos. Fica a dica para quem cozinha todo dia ou quer aprender a cozinhar (ele explica direitinho, passo a passo):
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